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quarta-feira, 14 de maio de 2008

O caminho e o caminhante

Leon Tolstoi

“Se trilho embriagado pelo caminho para minha casa, o caminho não deixa de ser certo simplesmente porque ando por ele cambaleante”


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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Televisão do Matuto

Rodrigo Sestrem

Seu dotô, num leve a mal!
Num sô mal agradecido,
Mas preciso devolvê
O presente recebido
Qui só causô confusão
Essa tar “tulevisão”
Eita, caixote inxirido!

Meus minino, coitadinho,
Já num come mais marmita!
Só querem EME CÊ DONÁUD
A mãe deles fica aflita
MAQUI XIQUE, MAQUI FIXE,
MAQUI O DIACHO TODO, VIXE!
Má qui coisa esquisita!

Tem um tar de videogâmi,
Um que tem uns “PLEI” no nome...
Que deixa os minino doido,
Só param quando a luz some!
Tem uns bicho dos inferno!
Uns barulho tão muderno,
De dá medo em Lubisômi!

Inté mermo minha mulé,
Sempre tão respeitadera,
Quis quebrá o pau cumigo
Por causo de uma besteira
Porque viu esta manhã
Um tar JORGE FOREMÃ
Vendeno uma frigideira!

A minha filha mais velha
O sinhô veja se isso pode!
Disse qui qué viajá!
Quando eu nego, se sacode!
Qué ir prus Rio de Janeiro
Diz qui vai ganhá dinheiro
Com um tar um BIG BRÓDI!

Minha sogra, na cozinha,
Cada dia inventa um prato.
Só num faz tripa de bode
Num faz bucho nem faz fato.
Só cumida da istrangêra
De uma LÔRA FALADÊRA
E de um PAPAGAIO CHATO!

Um dia, eu pensei cumigo:
Pra qui toda essa agonia?
Só por causo de um caixote
Que só mostra fantasia?
Resolvi sentá um pouco
Mermo achando qui era louco!
Mas pra vê se entendia...

E o qui eu vi me fez tremê...
Seu dotô, eu nem te conto!
Foi tanta barbaridade
Qui eu quase qui fico tonto!
E ói qui eu sô macho que só!
Nunca dei ponto sem nó,
E nem nó fora do ponto!

Vi uns homi bem vestido
Remexendo as duas mão,
Dizendo qui era pastor,
Mas num vi as cabra não!
Apontavam lá pra Cruz,
Se diziam de Jesus,
Mas só falavam no Cão!


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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Meus 39 anos

Afinal, o que é um aniversário?

Bom, meu aniversário nada mais é pra mim que um dia de lembrança...

Meu aniversário não é só bolinho, brigadeiros e “parabéns-pra-você” (aliás, corro disso!). Meu aniversário é aquele dia em que lembro de quem interferiu na minha vida e que há vários anos tenho interferido na vida das pessoas. Nos meus aniversários, também me lembro que sou mortal e que minha caminhada é certa para o fim.

A rapidez com que os anos se derretem lembra que a vida é um foguinho de nada e tá sempre chovendo.

Não vou ficar aqui enumerando as vantagens e desvantagens de ficar mais velho, basta dizer, que tenho vivido. O que também significa que tenho sofrido um pouco, afinal não sou diferente de ninguém.

A cada dia aprendo que a vida é simples... e de uma simplicidade assustadora!

“Viver consiste em... viver !” - o que parece uma frase vazia é a mais pura verdade.

Acorda-se, come-se - vive-se. Trabalha-se, conversa-se - vive-se.

Viver é ser, é estar, mas não é controlar. Viver é não prever nem tampouco se antecipar. Viver é quase se despreocupar. Viver é saber que o que não tem remédio remediado está.

Não sou um “professor de vida” e nem pretendo ser. Quero continuar errando e aprendendo. Só gostaria de acertar um pouquinho mais...

Chego aos 39 anos com sentimentos confusos, porque tem dias em que me sinto ainda bem novo e tenho até vontade de voltar a tocar e ter banda de rock.

Há dias, porém, em que me sinto um velho rabugento, cheio de manias, com o corpo e a mente cansados desta vida cheia de altos e baixos.

Assim sigo. Porque viver é seguir. Se a morte me atormenta, faço dela um texto, para que, quem sabe, talvez ela se esqueça de mim... como eu também esqueço de meus textos...

E de um jeito muito estranho, meus pensamentos têm um propósito firme: resistir.

Às vezes sinto que sou uma besta, mas dei sorte porque meus amigos não acham.

Sobre os amigos, bem, os últimos anos têm sido interessantes. Tenho conhecido muita gente e depois “desconhecido” as mesmas pessoas. Pessoas antigas e novas têm saído da minha vida, numa movimentação que antigamente me atormentava, mas que hoje, cada vez mais eu encaro como natural.

Mesmo assim, continuo não entendendo o porquê de, mesmo querendo muito, não conseguir me relacionar muito bem com algumas pessoas. Ou melhor, até entendo, mas não vem ao caso.

Tô feliz com meus poucos amigos e com nossa deliciosa capacidade de nos suportarmos apesar das nossas diferenças... dizem que isso é amor.

Na minha vida estou aprendendo a não fazer planos. Muitos dos que fiz, simplesmente se esqueceram de me incluir neles...

Mesmo assim vou me esforçar para ser produtivo.

Mesmo assim vou amar e ficar raiva... vou me alegrar e chorar... vou sonhar e me decepcionar...

Porque assim têm sido os anos desde aquele outono de 1969.



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