Be Good

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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nossos Caminhos...

Comentário que fiz sobre a crônica "Por onde anda" escrita por meu talentoso amigo Cesar Cruz.
Vale a pena conferir: 
http://oscausosdocruz.blogspot.com/2009/04/por-onde-andara.html


29/04/09


Pois é Cesinha, realmente tem gente que faz a diferença em nossas vidas...

São pessoas especiais, não somente pelo que fizeram ou pelo que são, mas principalmente pelo que significaram... daí a beleza da coisa! Se tornam uma referência na nossa caminhada, muitas vezes sem nem saber da importância que tiveram.

É gente que, com uma história, uma palavra, um gesto, ou um olhar nos ajudam a nos completarmos... a nos aperfeiçoarmos.

Com isso não afirmo que nos tornamos completos ou perfeitos a partir do relacionamento com o outro, mas que nos tornamos menos incompletos e menos imperfeitos por que temos quem, de alguma forma, nos inspire.

“Por onde andará” quem já andou comigo? A quem andará inspirando?

Vamos nos aproveitar enquanto caminhamos juntos.

Um abraço

do amigo

G

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Entre Sapos e Jacarés

Comentário que fiz sobre a crônica "Inacreditáveis Gentilezas" escrita por meu talentoso amigo Cesar Cruz.
Vale a pena conferir:
http://oscausosdocruz.blogspot.com/2009/04/inacreditaveis-gentilezas.html




23/04/2009


Oi Cesinha...


Há algum tempo atrás, olhando no espelho, vi que eu tenho cara de bobo. Imediatamente tomei uma decisão: Vai ser pra uso próprio! Não vou deixar que ninguém faça uso dela.


A partir desse dia, eu decidi que escolheria os sapos que engoliria... porque afinal, quando a gente decide ser gentil, a gente decide por engolir esses pequenos e jeitosos anfíbios.


Decidi também que engoliria até grandes jacarés (e tenho engolido alguns bem calibrosos) sempre que escolhesse engoli-los...


O problema é que o resto do mundo não sabia desta minha decisão e não colaborou nadica de nada com o meu dia-a-dia.


Confesso que algumas vezes só percebi que havia engolido o batráquio quando ele já se encontrava confortavelmente instalado em meu estômago. Porém houve vezes que cheguei a me engasgar com o tamanho do rabo do jacaré que tive que mandar goela abaixo...


Depois de quase vinte anos dessa decisão, ainda sinto o gosto de alguns desses que se tornaram meus companheiros de jornada.


Mas tenho que confessar... não me arrependo... mesmo daqueles que entraram forçadamente...


Prefiro ser assim, um engolidor de sapos e jacarés semi-profissional com o estômago cheio e pesado por causa desses anfíbios e répteis, mas com a consciência bem levinha, ao ponto de poder dormir bem tranquilamente a noite... ao som dos coachares.


Um abraço


do amigo


G


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terça-feira, 17 de março de 2009

RELIGIÃO

Brian McLaren

"Uma religião deve ser valorizada pelos benefícios que traz aos que não são seus adeptos."



(Muito "caradepaumente" chupinhado do blog do Villy http://villyfomin.blog.terra.com.br/.)

EQUILÍBRIO

Cecília Meireles

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.



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UM CEGO

Jorge Luis Borges

Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.
Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.
Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,
porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.



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SALVOS DA PERFEIÇÃO

Elienay Cabral Jr.  

Deus de tão perfeito conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?

A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.

Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.

Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.

Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sobre poesia...

O Trevisan
(ex-Teatro Mágico)

"... são apenas meias palavras sem sentido,

que de tão sentidas,

se sentem obrigadas a serem citadas... recitadas... recitadas."


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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

MORADIA

Oswaldo Montenegro

Quando eu era criança meus amigos queriam ser militar, médico, engenheiro, jogador de futebol... E havia até mesmo um que eu admirava mais  porque queria ser bombeiro.

Eu queria ser... calmo. Não sou. Às vezes finjo e canastro. Não conheço a tal da paz. Alegria e emoção, sim. Mas serenidade nunca experimentei.

Aos 10 anos olhava meu pai curtindo o domingo e tentava imitar. Falhava.

Tudo bem, eu me iludia, é que ele tem mais de 30 anos.

Hoje, aos 52, as coisas sambam no meu peito como se um Olodum acelerado me habitasse.

Estou devorado pela ansiedade, animado, correndo e tenso. Paro um pouco pra retificar: não é bem tenso, é voraz.

Acordo pronto pra devorar o mundo. Admiro as coisas plácidas, mas gosto da febre da arte. Aí sim, a volúpia parece adequada.

E é ali, só ali, exclusivamente ali, para sempre ali, que eu quero morar.


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