Be Good

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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Simplesmente compartilhar a vida...

"A Cabana" de William P. Young (Ed Sextante) - pags 164 e 165

- Bom, Mack, nosso destino final não é a imagem do Céu que você tem na cabeça. Você sabe, a imagem de portões adornados e ruas de ouro. O Céu é uma nova purificação do universo, de modo que vai se parecer bastante com isso aqui.


- Então que história é essa de portões adornados e ruas de ouro?

- Esta, irmão - começou Jesus, deitando-se no cais e fechando os olhos por causa do calor e da claridade do dia - é uma imagem de mim e da mulher por quem sou apaixonado.

Mack olhou para ver se ele estava brincando, mas obviamente não estava.

- É uma imagem da minha noiva, a Igreja: indivíduos que juntos formam uma cidade espiritual com um rio vivo fluindo no meio e nas duas margens árvores crescendo com frutos que curam as feridas e os sofrimentos das nações. Essa cidade está sempre aberta e cada portão que dá acesso a ela é feito de uma única pérola... - Ele abriu um olho e olhou para Mack. - Isso sou eu! - Ele percebeu a dúvida de Mack e explicou: - Pérolas, Mack. A única pedra preciosa feita de dor, sofrimento e, finalmente, morte.

- Entendi. Você é a entrada, mas... - Mack parou, procurando as palavras certas. - Você está falando da Igreja como essa mulher por quem está apaixonado. Tenho quase certeza de que não conheço essa Igreja. - Ele se virou ligeiramente para o outro lado. - Não é certamente o lugar aonde eu vou aos domingos - disse mais para si mesmo, sem saber se era seguro falar em voz alta.

- Mack, isso é porque você só está vendo a instituição, que é um sistema feito pelo ser humano. Não foi isso que eu vim construir. O que vejo são as pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos que me amam, e não de prédios, regras e programas.

Mack ficou meio abalado ouvindo Jesus falar de "igreja" desse modo, mas isso não chegou a surpreendê-lo. De fato, foi um alívio.

- Então como posso fazer parte dessa Igreja? Dessa mulher pela qual você parece estar tão apaixonado?

- É simples, Mack. Tudo só tem a ver com os relacionamentos e com o fato de compartilhar a vida. É exatamente o que estamos fazendo agora, simplesmente isso, sendo abertos e disponíveis um para o outro. Minha Igreja tem a ver com as pessoas e a vida tem a ver com os relacionamentos. Você pode construí-la. É o meu trabalho e, na verdade, sou bastante bom nisso - disse Jesus com um risinho.

Para Mack essas palavras foram como um sopro de ar puro! Simples. Não um monte de rituais exaustivos e uma longa lista de exigências, nada de reuniões intermináveis com pessoas desconhecidas. Simplesmente compartilhar a vida.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

... e pra que ter fé?

Outra Espiritualidade - Ed. R. Kivitz – Mundo Cristão.

“Você tem fé? Então não me venha com testemunhos das coisas que Deus fez em seu favor. Eu quero saber o que você fez em favor dos outros. A fé é aquilo em nós que nos arremessa na direção do próximo: Que tem fé e não reparte o pão ou não veste o que tem frio tem uma fé morta, uma fé que não vale nada, pois a fé não é a capacidade de mover a mão de Deus em nosso favor, mas a capacidade de mover a nossa mão em favor do próximo.

Foi por esta razão que Jesus exortou seus discípulos, chamando-os ‘homens de pequena fé’. A cena é bem conhecida: um barco, Jesus dormindo, os discípulos apavorados e uma tremenda tempestade no mar da Galiléia. Os discípulos disputavam entre si para ver quem se atreveria a acordar Jesus e chamar sua atenção para o perigo iminente, quem seria o corajoso a denunciar o pouco-caso do Mestre para com suas vidas. Fizeram, então, o que qualquer um de nós faria: pediram que Jesus desse um jeito na chuva. Jesus atendeu ao seu clamor. Mas, estranhamente, em vez de elogiar sua fé, denunciou sua pequenez.

O que isso significa? Significa que eles tiveram fé suficiente em Jesus, mas não tiveram a fé de Jesus. Tinham fé suficiente para acreditar que Jesus poderia resolver o problema com a autoridade que Jesus lhes delegara. Pediram para Jesus agir, e Jesus agiu. Tiveram a fé que moveu a mão de Deus, mas não foram capazes de levantar as próprias mãos para dar ordens ao vento e à chuva. Sua fé os manteve com mãos recolhidas, desmobilizadas. O que aparentemente era uma expressão de fé e dependência do poder de Jesus era, na verdade, um ato covarde de quem não cresceu na fé.

As coisas continuam do mesmo jeito. A maioria dos discípulos contemporâneos busca crescer na fé para que possa usufruir mais de Deus. São poucos os que buscam crescer na fé para que possam ser mais úteis nas mãos de Deus. Creio que uma das razões para a distorção é que aprendemos a associar a fé às manifestações do poder de Deus, em vez de a relacionarmos com as expressões de serviço do povo de Deus. A fé está relacionada com o serviço, e não com poder. “Você tem fé? Então me mostre as suas obras” (Tg 2:18).

Basta você abrir sua Bíblia em Hebreus 11 e verificar que o elogio aos heróis da fé não se deve ao que Deus fez por eles, mas ao que, mobilizados pela fé, fizeram por Deus: ofereceram sacrifícios, obedeceram, dedicaram filhos, viveram como peregrinos, renunciaram a riquezas e posições, conquistaram reinos, praticaram a justiça, se entregaram ao martírio, sofreram toda sorte de infortúnios em favor e na esperança do Reino eterno e da cidade cujo fundamento é Deus. Os heróis da fé não são heróis por serem muito abençoados, mas porque abençoam a muitos.

Há uma razão para que a fé nos mobilize na direção de Deus e do serviço. Muito provavelmente porque a fé não é confiança naquilo que Deus vai fazer ou pode fazer. Costumo dizer que isso não é fé, é esperança, pensamento positivo, torcida. A fé não é expectativa quanto ao que Deus vai fazer. A fé é confiança profunda em Deus. Fé é crer no caráter de Deus. Fé é deixar as preocupações com a própria a vida – o que comer, o que vestir, onde morar – nas mãos de Deus, confiando em sua bondade, seus propósitos e suas intenções. Fé é crer que Deus tem para nós planos de paz e felicidade, para nos dar um futuro. Somente quem crê assim em Deus é livre para deixar de pensar em si e experimentar a liberdade necessária para que as mãos sejam mobilizadas na direção do serviço ao próximo.

Creio, sim, que Deus age em resposta a fé. Creio que a incredulidade nos priva de muito do que Deus tem para nos dar. Creio, sim, que não raras vezes somos invadidos por convicções profundas quanto ao mover de Deus e seu feitos que nos são comunicados ao coração de antemão pelo Espírito Santo. Mas creio também que minha fé não deve se prestar ao papel de pretender mover a mão de Deus. Ao que aspiro é a dimensão de fé que faz de Deus meu companheiro. Quero a qualidade de fé que me possibilite andar com Deus, a extensão de fé que me leve para dentro do coração do Pai, cada vez mais fundo, para que ouça sua voz, receba a revelação de seus propósitos, ouça seus segredos. E que de lá eu me levante com mãos arregaçadas para cumprir sua vontade – ser e fazer no mundo aquilo que estou destinado a ser e fazer para Deus, seu Reino, sua Igreja e os que ainda não são completamente seus.

Não quero a fé que espera Deus trabalhar por mim. Quero a fé que me faz trabalhar para Deus. Não quero a fé que me faça prosperar entre meus irmãos. Quero a fé que me faça cooperar e servir para que meus irmãos prosperem. No fundo, acho que sou movido por ambições maiores: não quero ser apenas fiel, quero ser herói da fé. Não me basta ser o tipo de homem que é digno no mundo. O que quero mesmo é ser o tipo de homem do qual o mundo não é digno.”

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Lado de Lá do Ge

(...)

O lado de lá da lua
O lado de cá do sol
O lado de lá da rua
E o medo de virar pó

Um pouco demais de tudo
Uma sobra não recolhida
Um medo bobo do mundo
Uma metade mal enchida

Em segredos e mistérios
De poemas e canções
Minha vida (revertérios)
De segredos e ilusões

Me revelo e me escondo
Me encontro e me exponho
Me machuco e me reponho
Me descubro: sou só sonho

O lado de lá da lua
O lado de cá do sol
O lado de lá da rua
E o medo de ficar só

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

(sem nome)

julho/2008

Quando eu me esconder, você vem me procurar?
E quando eu errar, você vai me criticar?
Quando eu chorar, você vem me ouvir?


Quando eu me perder, você vem me buscar?
Quando eu te magoar, você vem me perdoar ?
Tudo isso sem eu te pedir?


Que amor é esse ?
Que não me pede um gesto,
Que não me cobra nada,

Que só me ama e pronto...

Se este amor não tem fim,
Será que cabe em mim?

Quem pode não querer um amor assim?


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vozes

julho/2006

... havia duas vozes: a minha e a outra.

Quando a minha falava, a outra zombava... e quando ela falava, a minha calava.

Quanto mais eu ouvia a outra voz, mais me acostumava com ela...

Então ela falava e a minha zombava... a minha falava e ela calava.

... havia duas vozes: a minha e a outra... eu só não sabia qual era qual.

Quem é que sabe?

Oswaldo Montenegro

Quem é que sabe o que vai durar no tempo?

Quem é que diz o que o futuro abrigará?

Qual é o valor de ter valor o pensamento?

Quem é o juiz que vai nos dar o alvará?

Qual é o artista que é melhor do que o colega?

Qual é a música que povo aplaudirá?

Qual é a justiça que abre o olho e diz que é cega?

Qual é o porto de onde o barco afundará?

Qual é o leme que o capitão confisca?

Qual é o líder que o povo seguirá?

Qual é o certo: é o que pensa ou o que arrisca?

Quem é que sabe, saberia ou saberá?

Qual é a cor do vento frio em seu cabelo?

Qual é a virtude que a modéstia esconderá?

Qual é a ponta que enrolou este novelo?

Quem é que diz que é que ouve e vai falar?

Qual é o critério que consagra a poesia?

Quem é que marca a ferro e fogo o Avatar?

Que é que diz no anoitecer se é noite ou dia?

Qual é o limite em dar carinho e educar?

Quem é que sabe o que é que faz a qualidade?

Quem é que sabe o que jamais perecerá?

A gente fica velho assim com que idade?

Qual é o limite entre o que acaba e o que virá?

Como eu não sei e nunca soube nada acima

Eu me divirto, toco a vida e Deus dará

A vida é quase que um mergulho na piscina

Os dois segundos antes de se mergulhar

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Desejo

Vitor Hugo

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar

E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo

Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada

Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem

Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar

Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar

E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar

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quarta-feira, 14 de maio de 2008

O caminho e o caminhante

Leon Tolstoi

“Se trilho embriagado pelo caminho para minha casa, o caminho não deixa de ser certo simplesmente porque ando por ele cambaleante”


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quinta-feira, 8 de maio de 2008

Televisão do Matuto

Rodrigo Sestrem

Seu dotô, num leve a mal!
Num sô mal agradecido,
Mas preciso devolvê
O presente recebido
Qui só causô confusão
Essa tar “tulevisão”
Eita, caixote inxirido!

Meus minino, coitadinho,
Já num come mais marmita!
Só querem EME CÊ DONÁUD
A mãe deles fica aflita
MAQUI XIQUE, MAQUI FIXE,
MAQUI O DIACHO TODO, VIXE!
Má qui coisa esquisita!

Tem um tar de videogâmi,
Um que tem uns “PLEI” no nome...
Que deixa os minino doido,
Só param quando a luz some!
Tem uns bicho dos inferno!
Uns barulho tão muderno,
De dá medo em Lubisômi!

Inté mermo minha mulé,
Sempre tão respeitadera,
Quis quebrá o pau cumigo
Por causo de uma besteira
Porque viu esta manhã
Um tar JORGE FOREMÃ
Vendeno uma frigideira!

A minha filha mais velha
O sinhô veja se isso pode!
Disse qui qué viajá!
Quando eu nego, se sacode!
Qué ir prus Rio de Janeiro
Diz qui vai ganhá dinheiro
Com um tar um BIG BRÓDI!

Minha sogra, na cozinha,
Cada dia inventa um prato.
Só num faz tripa de bode
Num faz bucho nem faz fato.
Só cumida da istrangêra
De uma LÔRA FALADÊRA
E de um PAPAGAIO CHATO!

Um dia, eu pensei cumigo:
Pra qui toda essa agonia?
Só por causo de um caixote
Que só mostra fantasia?
Resolvi sentá um pouco
Mermo achando qui era louco!
Mas pra vê se entendia...

E o qui eu vi me fez tremê...
Seu dotô, eu nem te conto!
Foi tanta barbaridade
Qui eu quase qui fico tonto!
E ói qui eu sô macho que só!
Nunca dei ponto sem nó,
E nem nó fora do ponto!

Vi uns homi bem vestido
Remexendo as duas mão,
Dizendo qui era pastor,
Mas num vi as cabra não!
Apontavam lá pra Cruz,
Se diziam de Jesus,
Mas só falavam no Cão!


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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Meus 39 anos

Afinal, o que é um aniversário?

Bom, meu aniversário nada mais é pra mim que um dia de lembrança...

Meu aniversário não é só bolinho, brigadeiros e “parabéns-pra-você” (aliás, corro disso!). Meu aniversário é aquele dia em que lembro de quem interferiu na minha vida e que há vários anos tenho interferido na vida das pessoas. Nos meus aniversários, também me lembro que sou mortal e que minha caminhada é certa para o fim.

A rapidez com que os anos se derretem lembra que a vida é um foguinho de nada e tá sempre chovendo.

Não vou ficar aqui enumerando as vantagens e desvantagens de ficar mais velho, basta dizer, que tenho vivido. O que também significa que tenho sofrido um pouco, afinal não sou diferente de ninguém.

A cada dia aprendo que a vida é simples... e de uma simplicidade assustadora!

“Viver consiste em... viver !” - o que parece uma frase vazia é a mais pura verdade.

Acorda-se, come-se - vive-se. Trabalha-se, conversa-se - vive-se.

Viver é ser, é estar, mas não é controlar. Viver é não prever nem tampouco se antecipar. Viver é quase se despreocupar. Viver é saber que o que não tem remédio remediado está.

Não sou um “professor de vida” e nem pretendo ser. Quero continuar errando e aprendendo. Só gostaria de acertar um pouquinho mais...

Chego aos 39 anos com sentimentos confusos, porque tem dias em que me sinto ainda bem novo e tenho até vontade de voltar a tocar e ter banda de rock.

Há dias, porém, em que me sinto um velho rabugento, cheio de manias, com o corpo e a mente cansados desta vida cheia de altos e baixos.

Assim sigo. Porque viver é seguir. Se a morte me atormenta, faço dela um texto, para que, quem sabe, talvez ela se esqueça de mim... como eu também esqueço de meus textos...

E de um jeito muito estranho, meus pensamentos têm um propósito firme: resistir.

Às vezes sinto que sou uma besta, mas dei sorte porque meus amigos não acham.

Sobre os amigos, bem, os últimos anos têm sido interessantes. Tenho conhecido muita gente e depois “desconhecido” as mesmas pessoas. Pessoas antigas e novas têm saído da minha vida, numa movimentação que antigamente me atormentava, mas que hoje, cada vez mais eu encaro como natural.

Mesmo assim, continuo não entendendo o porquê de, mesmo querendo muito, não conseguir me relacionar muito bem com algumas pessoas. Ou melhor, até entendo, mas não vem ao caso.

Tô feliz com meus poucos amigos e com nossa deliciosa capacidade de nos suportarmos apesar das nossas diferenças... dizem que isso é amor.

Na minha vida estou aprendendo a não fazer planos. Muitos dos que fiz, simplesmente se esqueceram de me incluir neles...

Mesmo assim vou me esforçar para ser produtivo.

Mesmo assim vou amar e ficar raiva... vou me alegrar e chorar... vou sonhar e me decepcionar...

Porque assim têm sido os anos desde aquele outono de 1969.



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quinta-feira, 3 de abril de 2008

CADEIA CÍCLICA

(escrevi em 1997)


É essa noite que me envolve que me assusta.

É esse medo incontrolável que me cala.

É esse silêncio inexorável que me imobiliza.

É essa inércia irracional que a tudo escurece.

É essa noite que me envolve que me assusta.



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(sem nome)

(escrevi em 1995)


Meu desejo lírico

Teu beijo clínico

Meu protesto tímido

Teu retorno áspero

Meu pedido último

Teu carinho bélico

Meu silêncio úmido


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INVENTÁRIO

(escrito em 1994)

Ilusões antigas,
Um coração quebrado,
Sobras de esquecimentos,
Vontades e quereres,
Um monte te quases...

Canções incompletas,
UM velho desejo,
Segredos incontáveis,
Fantasias, planos...
E Planos...

Muitas esperanças,
Algumas alegrias,
Uma pequena saudade,
Poucos amores,
Outro monte de quases...

Vazios imensos,
Pedaços de sonhos,
Decepções variadas,
Poucos inimigos
E nenhum...
Nenhum amigo de verdade...


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quarta-feira, 26 de março de 2008

MEDO DE NUVEM E VENTO

(baseado em Mário Quintana)

Medo de nuvem
Medo de vento
Medo do mundo
Medo do medo

Medo da nuvem
Que vai se abrindo
Qque não se sabe
O que vai saindo

Medo do vento
Que vai soprando
Que não se sabe
O que vai dizendo

Medo do gesto mudo
Medo da fala surda
Que vai movendo
Que vai dizendo
Que não se sabe
Que bem se sabe
Que tudo é nuvem
Que tudo é vento


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(sem nome)

(escrito em 1993)



Meia hora

inteira passa

fazendo do passado feito.



Já não há respiro,

só sobrou um tiro

que soprou no ar.



Só precisou o dedo,

não há mais defeito,

nem porque falar.


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Sentidos

(escrito em 1997)


abre os olhos e ouça,

lmpa os ouvidos e sente,

lava as mãos e cheira,

respira fundo e vê

o que o amor faz aos sentidos...


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Sem Fim ?

(escrito em 1993)



Abre os olhos.

Vê o que restou ?



Canta tua sorte

Sem um tempo de alegria;

Grita tua dor

Com um silêncio de loucura;

Quebra uma promessa

Com a força de quem jura;

E aquece o que restou

Com o gelo d'alma fria.



Não há mais lugar pra ti...

Quem se importa ?

Qual será o fim da história

Que um dia não teve fim ?


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AULA

(escrito em 1989)

Soma de letras

Diminuição de quantias

Multiplicação de conhecimentos

Divisão das classes

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CONJUGADO

(escrito em 1994)

Sou um Futuro do Pretérito.

Imprefeito é meu passado...

E o meu Presente, de Indicativo só tem o modo.


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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

loucura

minha

olho ao redor e vejo uma manhã fria e úmida

como já não sei mais nada, acho que a umidade e o frio podem estar apenas nos meus olhos.

me abraço para me proteger do frio... a umidade, não há como evita-la.

já me congelaram os pés, as mãos, o nariz e a alma.

não sei se sinto frio ou se o sou.

se o sou, não o era, me tornei.

tudo é silêncio ou barulho, já não sei. sei que me envolve e me ensurdece, me embala e me enlouquece.

também não sei mais o que é loucura.

será que loucura é quando alguém se afasta do mundo real, ou será que é quando o mundo realmente se afasta de alguém?




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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Fórmula da vida

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Eu + Tempo + Circunstâncias + Amigos + Decisões + Aprendizado – bobagens = EU MELHOR


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quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Doenças e Palavras

Viviane Mosé

muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras calcificadas
poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima

lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor


lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor

lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor

lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor

tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema


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Mestre...

Guimarães Rosa

"Mestre não é quem sempre ensina, mas quem, de repente, aprende."

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

40

Canção do U2 (Salmo 40)

I waited patiently for the Lord
He inclined and heard my cry
He brought me up out of the pit
Out of the miry clay

I will sing, sing a new song
I will sing, sing a new song
How long to sing this song?

How long to sing this song?
How long, how long, how long
How long to sing this song?

He set my feet upon a rock
And made my footsteps firm
Many will see, many will see and fear


I will sing, sing a new song
I will sing, sing a new song
How long to sing this song?

How long to sing this song?
How long, how long, how long
How long to sing this song?

É Proibido Pensar.

João Alexandre (músico-poeta)
Uma crítica inteligente e irônica às mais recentes "modas" no meio musical evangélico.

Procuro alguém pra resolver meu problema,
Pois não consigo me encaixar neste esquema.
São sempre variações do mesmo tema,
Meras repetições.

Extravagâncias vem de todos os lados
e faz chover profetas apaixonados.
Morrendo em pé, rompendo a fé dos cansados
Com suas canções.

Estar de bem com vida é muito mais que renascer.
Deus já me deu sua palavra
e é por ela que ainda guio o meu viver.

Reconstruindo o que Jesus derrubou,
Recosturando o véu que a cruz já rasgou,
Ressuscitando a lei pisando na graça,
Negociando com Deus.

No show da fé milagre é tão natural,
Que até pregar com a mesma voz é normal.
Nesse evangeliquez universal,
Se apossando do céus.

Estão distantes do trono, caçadores de Deus
Ao som de um shofar
E mais um hino importado dita as regras
Pra nos escravizar.

É proibido pensar (5x)

Procuro alguém pra resolver meu problema,
Pois não consigo me encaixar neste esquema,
São sempre variações do mesmo tema,
Meras repetições...

Meras repetições...

É proibido pensar...

Traduções contemporâneas dos dez mandamentos

Ed René Kivitz

Por que os dez mandamentos são as dez coisas mais difíceis que tentamos fazer na vida.

I Não terás outros deuses
Não crerás na existência de outros deuses, senão de Deus.
Não explicarás o universo senão em relação a Deus.
Não terás outro critério de verdade senão Deus.
Não te relacionarás com pseudodivindades, senão com Deus.
Não dependerás de falsos deuses, senão de Deus.
Não terás satisfação em nada que exclua Deus.

II Não farás imagens
Não tratarás como Deus o que não é Deus.
Não compararás Deus com qualquer de suas criaturas.
Não atribuirás poder divino a qualquer das criaturas de Deus.
Não colocarás nenhuma criatura entre ti e o teu Deus.
Não diminuirás Deus para que possas compreendê-lo ou dominá-lo.
Não adorarás qualquer criatura que pretenda representar Deus.

III Não tomarás o nome do teu Deus em vão
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.

IV Lembra-te do sábado
Não deixarás de dedicar tempo exclusivamente para Deus.
Não deixarás de prestar atenção em Deus.
Não deixarás de descansar em Deus.
Não derivarás teu valor da tua produtividade.
Não tratarás a vida como tua conquista.
Não deixarás de reconhecer que em tudo dependes de Deus.

V Honra teu pai e tua mãe
Não negarás tua origem.
Não terás vergonha do teu passado.
Não deixarás de fazer as pazes com tua história.
Não destruirás a família.
Não banalizarás a autoridade dos pais em relação aos filhos.
Não deixarás teu pai e tua mãe sem o melhor dos teus cuidados.

VI Não matarás
Não tirarás a vida de alguém.
Não tirarás ninguém da vida.
Não negarás o perdão
Não farás justiça com tuas mãos movidas pelo ódio.
Não banirás ninguém da tua vida.
Não negarás ao outro a oportunidade de existir na tua vida.

VII Não adulterarás
Não farás sexo.
Não farás sexo na imaginação.
Não farás sexo virtual.
Exceto com teu cônjuge.
Não te deixarás dominar pelos teus instintos físicos.
Não terás um coração leviano e infiel.
Não te satisfarás apenas no sexo, mas te realizarás acima de tudo no amor.

VIII Não furtarás
Não vincularás tua satisfação às tuas posses.
Não te deixarás dominar pelo desejo do que não possuis.
Não usurparás a propriedade e o direito alheios.
Não deixarás de praticar a gratidão.
Não construirás uma imagem às custas do que não podes ter.
Não pensarás só em ti mesmo.

IX Não dirás falso testemunho
Não dirás mentiras.
Não dirás meias verdades.
Não acrescentarás nada à verdade.
Não retirarás nada da verdade.
Não destruirás teu próximo com tuas palavras.
Não dirás ter visto o que não vistes.

X Não cobiçarás
Não viverás em função do que não tens.
Não desprezarás o que tens.
Não te colocarás na condição de injustiçado.
Não desdenharás os méritos alheios.
Não duvidarás da equanimidade das dádivas de Deus.
Viverás para fazer teu o que é do teu próximo, mas do teu próximo o que é teu.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Dos Amigos

Anselm Grün, em "O Livro da Arte de Viver", pág. 156, ed. Vozes.

Diz um ditado: "Com um amigo ao lado, nenhum caminho é longo demais".

O amigo ao lado nos dá forças para continuar, apesar de todas as adversidades. Ele nos sustenta para não desistir, quando estamos encostados na parede. Ele nos motiva na ousadia da luta pela vida.

Sem amigo corremos o risco de perder o chão sob os pés. Sabendo que meu amigo me apóia, os problemas se relativizam. Sem amigo, eu já teria dito diversas vezes: "Dane-se!". Mas sei muito bem que isso não teria feito favor algum a mim e às pessoas ao meu redor.

A conversa com o amigo me permite descobrir o meu próprio modelo de vida. Eu sinto que entraria num beco sem saída. O amigo me preserva disso. Ele me dá aquele fôlego longo de que preciso para terminar minha caminhada.


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Da Existência de Deus

Em "O Espírito do Ateísmo", André Comte-Sponville propõe uma espiritualidade para ateus, isto é, uma metafísica sem Deus, e demonstra uma sobriedade ausente entre os recentes “religiofóbicos”, como Richard Dawkins, Michel Onfray e Christopher Hitchens.

Ao final de sua argumentação conta que na adolescência, após ler o Eclesiastes, escreveu no caderno de notas: “Das duas uma. Ou Deus existe, e então nada tem importância. Ou Deus não existe, e então nada tem importância”. Na vida adulta conclui: “Não filosofei em vão. Repensando aquela fórmula da minha adolescência eu antes diria o contrário: “Ou Deus existe, e então tudo é importante; ou Deus não existe, e então tudo é importante”. Seguem alguns comentários sobre as possibilidades.

#1

Deus não existe, então nada é importante. Isso é niilismo. Um mundo sem Deus é vazio de valores superiores, ou como disse Nietzsche, “faltam os fins, não há mais resposta para a questão: para que?”. Pensamento concorde com Dostoiévski: "Se Deus não existe e a alma é mortal, tudo é permitido". Deus é a base absoluta do juízo moral, a única plataforma verdadeira de responsabilidade infinita. Os céticos aos poucos se tornam cínicos. E logo se tornam loucos. Não é possível ao homem sobreviver no vazio.

#2
Deus existe, então nada é importante. Isso é fanatismo. Separar Deus de sua criação e jogar todas as fichas na transcendência, numa espiritualidade abstrata, implica abandonar a única possibilidade de encontro com o divino, a saber, a imanência, com que se pode interagir dada a transparência. A tentativa de experimentar Deus além da imanência é ilusória. Dar as costas ao mundo de Deus é desprezar o Deus do mundo. Não peço que os tires do mundo... Apenas os fanáticos se sentem bem na “espiritosfera”. E lá também enlouquecem.

#3
Deus não existe, então tudo é importante. Isso é materialismo. É dar valor último ao que é penúltimo. Chesterton tinha razão, quando deixamos de acreditar em Deus, acabamos crendo em qualquer bobagem. O que é esse “tudo” sem Deus, senão deus? Ainda não entendi (falha minha, é claro), a lógica que afirma que a descrença em Deus resulta em melhor humanidade. Se Deus não existe, tudo é efêmero. Então tudo é temporariamente importante. O que é temporariamente importante, não é importante em si, mas em sua função no tempo. Toda importância é relativa. Toda importância relativa é uma desimportância. Esta terceira possibilidade não me faz sentido. Entre esta e a primeira, fico com a aquela.

#4
Deus existe, então tudo é importante. Isso não sei o que é. Mas é a fé que me mobiliza.



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Do Ano Novo

Carlos Drummond de Andrade

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente."