segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Aquilo

Um misto de conto e crônica bem curtinho que escrevi.

Já não havia sentido continuar com aquilo.

Ela mal chegava em casa e já sentia que aquilo era demais para ela.

Toda vez que ele começava com aquilo, ela sabia: nada valia aguentar aquilo.

Aquilo dava a ela vontade de vomitar.

A primeira vez que ele fez aquilo, ela quase nem percebeu. Não deu nem tempo de pensar. Quando viu, ele já tinha feito.

Eles se conheceram muito jovens e logo engataram o namoro. Aquilo fazia parte de um lado oculto dele que ela não conhecia. Logo se tornou um segredo dos dois. Ela não gostava, sentia nojo, mas, por amor, suportava tudo aquilo calada. Suportou por muito tempo, mas agora já não aguentava mais.

A vontade dela era sair gritando, revelando a todos o segredo podre dele. Mas e a vergonha? Todos saberiam o que ela tem acobertado por tanto tempo. Ela era cumplice.

E como lidar com o fato de que, por muito tempo, ela também chegou a se divertir com aquilo. Fez até piada. Provocou. Pediu. E ela mesma, muitas vezes também fez aquilo.

Aquela noite era diferente. Vinte e cinco anos de casamento mudam qualquer um. Ela estava diferente. Havia voltado da terapia muito certa de si. Sabia que nunca mais iria mais tolerar aquilo. Era a hora do basta!

Entrou em casa e era evidente que ele estava fazendo aquilo. Ela queria vomitar. Juntou forças e foi até a sala. Ele estava lá, com seu prazer mórbido e sua alegria suja.

Ela estava muito nervosa, quase não respirava. Num ímpeto de coragem colocou pra fora todos os anos de constrangimento, humilhação e angústia.

Olhando firmemente nos olhos dele, sentindo a garganta apertada e os olhos ardendo, ela finalmente disse:

- Não aguento mais viver assim! Não aguento mais você com isso! Pelo amor de Deus, quer peidar, vai pro banheiro!



terça-feira, 14 de maio de 2013

Rir até a barriga doer


a criança e o velho em mim

"Rir até a barriga doer."

Ouvi essa frase essa semana quando conversava com um amigo sobre coisas que gostávamos de fazer quando éramos crianças.

Essa semana completei 44 anos.

Percebi que realmente estou ficando velho pois, ao assistir um vídeo de um humorista famoso, comecei a rir, rir, rir, até que comecei a sentir dor na barriga.

Como eu ria descontroladamente, minha reação no meio de tanta risada, foi escrever no Tablet "Liga 193 e chama a ambulância" pois, dentro de mim eu pensava "Será que a dor é na barriga ou no peito? Eu tenho que me controlar senão vou acabar tendo um infarto!"




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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Beleza, Alegria e Vida

Porque é assim...

Efêmera, fugaz, frágil, genuína, transitória, singela, impalpável, passageira, breve, delicada, fugidia, intangível, vulnerável, ligeira...

Assim é a beleza aos olhos de quem vê... assim é a alegria no coração de quem sente... assim é a vida.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Salvo.


1a. Versão postada em: https://www.facebook.com/george.saguia/posts/10200365813774846?

Chovia.

Era a tempestade mais assustadora da minha vida. Estrondos chacoalhavam meu corpo enquanto eu procurava abrigo.

Não conseguia ver direito onde estava. Meu celular não iluminava o suficiente para que eu reconhecesse algo ao meu redor. Eu só sabia que precisava sair dali.

Foi quando eu comecei a perceber que além da chuva e dos trovões havia um som. Fininho, baixinho, quase um sussurro. Algo não estava certo.

Apurei o ouvido, me concentrei.

Palavras! Alguém estava falando!

Estiquei o pescoço, como se fosse uma antena, tentando uma posição pra ouvir melhor.

A chuva foi diminuindo. O céu foi clareando. E um amoroso "Papai, quero mamadeira" me acordou e me salvou.



domingo, 26 de agosto de 2012

Parece Saudade


"... o futuro não é mais como era antigamente..."

Depois de um sábado agitado, finalmente chego em casa e coloco a Duda pra dormir em sua caminha.

Vou pra internet. Começo a ler notícias. Minha cabeça se enche de lembranças de projetos da minha juventude que não chegaram a se concretizar e o peito fica cheio de uma coisa esquisita que parece saudade.

Digo que 'parece saudade' pois ninguém pode sentir uma saudade verdadeira de algo que nunca aconteceu. É uma saudade de um 'futuro do pretérito', do talvez, do 'quem sabe'.

 Então escuto a Duda chamar: Papai, mamadeira! A sensação de saudade vai embora pra dar lugar a um preenchimento que não sei explicar. Pode parecer brega, mas é como se fosse um calor que me esquenta o peito, quase me suspende a respiração e enche minha boca de sorriso.

A saudade "do que poderia ter sido" é expulsa com carinho por outro sentimento, é a satisfação do presente que escorre no meu rosto em forma de lágrima, ressignifica a vida e faz todo o passado e o futuro ganharem novas cores.


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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Tempos, Sonhos e Acordes

na madrugada do dia 09/02/2011

Toda noite tenho um sonho.
Acordo, relutando a lutar
Vou vivendo, vou levando...

Todo dia vivo um sonho.
Acordes, ensaiando ensaiar.
Vou vivendo, vou levando...

A cor da noite me inspira
Acordes vivos me embalam
Sonho acordado com o próximo tempo
Outros sons, nossos momentos...

Vou no tempo, vôo no sonho.
Vôo no tempo, vou no sonho.

Toda noite tenho um sonho.
A corda não rompe por nada
Acordo suado, zoado, não durmo.

Todo dia vivo um sonho.
A cor do silêncio que toca
Que pinta sem retocar

Vou no tempo, vôo no sonho.
Vôo no tempo, vou no sonho.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Boas Notícias!

Acompanhando o que a Lena publicou no blog dela, publico este texto que enviei para parentes e amigos (e publiquei no orkut) quando a Duda chegou:

Na última quarta-feira (24/02) recebi um telefonema da Lena no meio de um evento... Como estava ocupado e ela insistia em ligar, pedi para o meu sócio João atendê-la. Ele chegou até mim mais branco que um papel e me disse meio assustado: “A Lena disse que ligaram do Fórum e eles querem saber se vcs querem ir até lá pra conhecer o histórico de uma criança de 1 ano e 5 meses.”

Quase tive um treco. Meu coração quase se derramou pelos meus olhos: “Fala pra ela dizer que SIM!” – quase não me saíram as palavras.

Engoli o choro. Controlei a emoção. Finalizei o evento e fui voando pra casa abraçar a Lena.

Para o jantar recebemos a visita de meus queridos tios Azizio e Yara (que nos venderam o apartamento para onde nos mudamos). Ficamos juntos até tarde. Jantar delicioso, companhia maravilhosa e o tempo voou.

Depois que eles saíram ficamos enrolando pois não tínhamos sono.

Quase não dormimos nada.

Levantamos nesta quinta-feira bem cedo e ficamos inventando coisas pra não pensar no assunto.

Chegamos ao Fórum meia hora antes do marcado. A psicóloga nos chamou em seguida e contou a história da menina. Perguntou se tínhamos interesse em conhecê-la e a resposta foi imediata: “Pode ser agora?”. Surpresa, ela ligou avisando o pessoal do abrigo e nos entregou uma autorização para conhecê-la.

Vinte minutos depois, a Lena e eu já estávamos dentro de uma sala ampla e muito agradável vendo a “Tia” Flora descer as escadas com aquele pequeno tesouro nos braços... Foi amor a primeira vista! Não tínhamos dúvida que era ela! Encontramos nossa filha! Nascida de outra barriga, com outros genes, mas totalmente nossa filha...

Após ficarmos com ela por uma hora, falamos por telefone com a psicóloga e ela nos disse: “Vou preparar os papéis para o juiz assinar. Venham para cá pra pegar e depois voltar ao abrigo para buscá-la. Hoje ela vai dormir em casa!”

Pois é, são 01:15 do dia 26/02/2010 e nossa filha Maria Eduarda está dormindo no berço dentro do meu quarto.

Há um ano e cinco meses ela nos esperava e nós esperávamos por ela...
Agora estamos juntos.

Agradecemos a todos vcs pela força, pelas orações e pelo apoio nas horas difíceis... Mas agora queremos celebrar a vida... junto com vocês!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ando Devagar

(meio perturbado)


Ando devagar

Cansado de vagar

Finalmente, a mente a divagar

Sobre as sombras, sobre sonhos e sementes

Pelos planos, pelos lisos e enrugados


Tem um tempo, um tecido tipo trama

Meio velho, meio novo, meio a meio

Que me envolve, me revolve e me dissolve

Me torna mais, me torna menos, mais ou menos


Sou do tipo que renova, se inova nova-mente

Sou instável, confortável, inesgotável

Sou destino, já sem tino, intangível

Sou daqueles, dos sem pele, que repelem o repelente


So' queria ser mais firme

Mais coluna, mais perene

So' queria ser da estirpe

De mais doçura, demais demente


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quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nossos Caminhos...

Comentário que fiz sobre a crônica "Por onde anda" escrita por meu talentoso amigo Cesar Cruz.
Vale a pena conferir: 
http://oscausosdocruz.blogspot.com/2009/04/por-onde-andara.html


29/04/09


Pois é Cesinha, realmente tem gente que faz a diferença em nossas vidas...

São pessoas especiais, não somente pelo que fizeram ou pelo que são, mas principalmente pelo que significaram... daí a beleza da coisa! Se tornam uma referência na nossa caminhada, muitas vezes sem nem saber da importância que tiveram.

É gente que, com uma história, uma palavra, um gesto, ou um olhar nos ajudam a nos completarmos... a nos aperfeiçoarmos.

Com isso não afirmo que nos tornamos completos ou perfeitos a partir do relacionamento com o outro, mas que nos tornamos menos incompletos e menos imperfeitos por que temos quem, de alguma forma, nos inspire.

“Por onde andará” quem já andou comigo? A quem andará inspirando?

Vamos nos aproveitar enquanto caminhamos juntos.

Um abraço

do amigo

G

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Entre Sapos e Jacarés

Comentário que fiz sobre a crônica "Inacreditáveis Gentilezas" escrita por meu talentoso amigo Cesar Cruz.
Vale a pena conferir:
http://oscausosdocruz.blogspot.com/2009/04/inacreditaveis-gentilezas.html




23/04/2009


Oi Cesinha...


Há algum tempo atrás, olhando no espelho, vi que eu tenho cara de bobo. Imediatamente tomei uma decisão: Vai ser pra uso próprio! Não vou deixar que ninguém faça uso dela.


A partir desse dia, eu decidi que escolheria os sapos que engoliria... porque afinal, quando a gente decide ser gentil, a gente decide por engolir esses pequenos e jeitosos anfíbios.


Decidi também que engoliria até grandes jacarés (e tenho engolido alguns bem calibrosos) sempre que escolhesse engoli-los...


O problema é que o resto do mundo não sabia desta minha decisão e não colaborou nadica de nada com o meu dia-a-dia.


Confesso que algumas vezes só percebi que havia engolido o batráquio quando ele já se encontrava confortavelmente instalado em meu estômago. Porém houve vezes que cheguei a me engasgar com o tamanho do rabo do jacaré que tive que mandar goela abaixo...


Depois de quase vinte anos dessa decisão, ainda sinto o gosto de alguns desses que se tornaram meus companheiros de jornada.


Mas tenho que confessar... não me arrependo... mesmo daqueles que entraram forçadamente...


Prefiro ser assim, um engolidor de sapos e jacarés semi-profissional com o estômago cheio e pesado por causa desses anfíbios e répteis, mas com a consciência bem levinha, ao ponto de poder dormir bem tranquilamente a noite... ao som dos coachares.


Um abraço


do amigo


G


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terça-feira, 17 de março de 2009

RELIGIÃO

Brian McLaren

"Uma religião deve ser valorizada pelos benefícios que traz aos que não são seus adeptos."



(Muito "caradepaumente" chupinhado do blog do Villy http://villyfomin.blog.terra.com.br/.)

EQUILÍBRIO

Cecília Meireles

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.



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UM CEGO

Jorge Luis Borges

Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.
Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.
Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,
porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.



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SALVOS DA PERFEIÇÃO

Elienay Cabral Jr.  

Deus de tão perfeito conheceu a plenitude do tédio. De tão cercado pelo idêntico a si mesmo, incapaz de dizer por que hoje não é apenas um reflexo de ontem, sem jamais ter sonhado com um outro dia, enfadado com a previsibilidade de um mundo impecável, inventou o amor. Ou seria, preferiu amar?

A invenção do amor, ou dos amigos, é o encontro com o imperfeito e aqui está a sua grandeza. Nada se compara ao êxtase da imaginação, à adrenalina do inusitado, ao ciúme diante do livre amante, à ardência do anseio pelo melhor, ao sabor fugidio do fugaz, à satisfação de um mundo transformado, ao descanso gostosamente dolorido diante do que não mais é caos. Sensações próprias da vida imperfeita, do que está para sempre para ser, dos que sempre podem desejar uma outra coisa. Dos humanos.

Logo depois de inventar o imperfeito, Deus conheceu a lágrima da frustração. A dor mais feliz que espíritos livres sentem. Viu as costas dos que mais amou. Duvidou sem desistir, o Criador chorou mais uma vez. Desta lágrima descobriu o perdão. Lágrima esquentada com afeto e graça.

Mal compreendido pelos amigos, inimigos tolos, pecado, recobriram-no de ídolo. De tão cansados do incerto, angustiados por tanta liberdade, os amigos inventaram ídolos, pretensos profetas e arrogantes senhores do futuro, sacerdotes e magos de um deus acuado, cristos milagreiros da mesmice ressurreta. Inventaram a religião, vestiram-se de absoluto.

Deus, que do absoluto fugiu em desespero, que inventara o imperfeito, imperfeito se fez. Inventou-se entre os incertos. Aperfeiçoou a imperfeição. Humanizou-se entre humanos. De tão impreciso, despido das forças do absoluto, igualmente inapreensível, excepcionalmente frágil, tão vivo e tão morto, descortinou o absoluto como quem desnuda o que é mau. Imperfeito, salvou-nos da perfeição.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

sobre poesia...

O Trevisan
(ex-Teatro Mágico)

"... são apenas meias palavras sem sentido,

que de tão sentidas,

se sentem obrigadas a serem citadas... recitadas... recitadas."


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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

MORADIA

Oswaldo Montenegro

Quando eu era criança meus amigos queriam ser militar, médico, engenheiro, jogador de futebol... E havia até mesmo um que eu admirava mais  porque queria ser bombeiro.

Eu queria ser... calmo. Não sou. Às vezes finjo e canastro. Não conheço a tal da paz. Alegria e emoção, sim. Mas serenidade nunca experimentei.

Aos 10 anos olhava meu pai curtindo o domingo e tentava imitar. Falhava.

Tudo bem, eu me iludia, é que ele tem mais de 30 anos.

Hoje, aos 52, as coisas sambam no meu peito como se um Olodum acelerado me habitasse.

Estou devorado pela ansiedade, animado, correndo e tenso. Paro um pouco pra retificar: não é bem tenso, é voraz.

Acordo pronto pra devorar o mundo. Admiro as coisas plácidas, mas gosto da febre da arte. Aí sim, a volúpia parece adequada.

E é ali, só ali, exclusivamente ali, para sempre ali, que eu quero morar.


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quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Simplesmente compartilhar a vida...

"A Cabana" de William P. Young (Ed Sextante) - pags 164 e 165

- Bom, Mack, nosso destino final não é a imagem do Céu que você tem na cabeça. Você sabe, a imagem de portões adornados e ruas de ouro. O Céu é uma nova purificação do universo, de modo que vai se parecer bastante com isso aqui.


- Então que história é essa de portões adornados e ruas de ouro?

- Esta, irmão - começou Jesus, deitando-se no cais e fechando os olhos por causa do calor e da claridade do dia - é uma imagem de mim e da mulher por quem sou apaixonado.

Mack olhou para ver se ele estava brincando, mas obviamente não estava.

- É uma imagem da minha noiva, a Igreja: indivíduos que juntos formam uma cidade espiritual com um rio vivo fluindo no meio e nas duas margens árvores crescendo com frutos que curam as feridas e os sofrimentos das nações. Essa cidade está sempre aberta e cada portão que dá acesso a ela é feito de uma única pérola... - Ele abriu um olho e olhou para Mack. - Isso sou eu! - Ele percebeu a dúvida de Mack e explicou: - Pérolas, Mack. A única pedra preciosa feita de dor, sofrimento e, finalmente, morte.

- Entendi. Você é a entrada, mas... - Mack parou, procurando as palavras certas. - Você está falando da Igreja como essa mulher por quem está apaixonado. Tenho quase certeza de que não conheço essa Igreja. - Ele se virou ligeiramente para o outro lado. - Não é certamente o lugar aonde eu vou aos domingos - disse mais para si mesmo, sem saber se era seguro falar em voz alta.

- Mack, isso é porque você só está vendo a instituição, que é um sistema feito pelo ser humano. Não foi isso que eu vim construir. O que vejo são as pessoas e suas vidas, uma comunidade que vive e respira, feita de todos que me amam, e não de prédios, regras e programas.

Mack ficou meio abalado ouvindo Jesus falar de "igreja" desse modo, mas isso não chegou a surpreendê-lo. De fato, foi um alívio.

- Então como posso fazer parte dessa Igreja? Dessa mulher pela qual você parece estar tão apaixonado?

- É simples, Mack. Tudo só tem a ver com os relacionamentos e com o fato de compartilhar a vida. É exatamente o que estamos fazendo agora, simplesmente isso, sendo abertos e disponíveis um para o outro. Minha Igreja tem a ver com as pessoas e a vida tem a ver com os relacionamentos. Você pode construí-la. É o meu trabalho e, na verdade, sou bastante bom nisso - disse Jesus com um risinho.

Para Mack essas palavras foram como um sopro de ar puro! Simples. Não um monte de rituais exaustivos e uma longa lista de exigências, nada de reuniões intermináveis com pessoas desconhecidas. Simplesmente compartilhar a vida.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

... e pra que ter fé?

Outra Espiritualidade - Ed. R. Kivitz – Mundo Cristão.

“Você tem fé? Então não me venha com testemunhos das coisas que Deus fez em seu favor. Eu quero saber o que você fez em favor dos outros. A fé é aquilo em nós que nos arremessa na direção do próximo: Que tem fé e não reparte o pão ou não veste o que tem frio tem uma fé morta, uma fé que não vale nada, pois a fé não é a capacidade de mover a mão de Deus em nosso favor, mas a capacidade de mover a nossa mão em favor do próximo.

Foi por esta razão que Jesus exortou seus discípulos, chamando-os ‘homens de pequena fé’. A cena é bem conhecida: um barco, Jesus dormindo, os discípulos apavorados e uma tremenda tempestade no mar da Galiléia. Os discípulos disputavam entre si para ver quem se atreveria a acordar Jesus e chamar sua atenção para o perigo iminente, quem seria o corajoso a denunciar o pouco-caso do Mestre para com suas vidas. Fizeram, então, o que qualquer um de nós faria: pediram que Jesus desse um jeito na chuva. Jesus atendeu ao seu clamor. Mas, estranhamente, em vez de elogiar sua fé, denunciou sua pequenez.

O que isso significa? Significa que eles tiveram fé suficiente em Jesus, mas não tiveram a fé de Jesus. Tinham fé suficiente para acreditar que Jesus poderia resolver o problema com a autoridade que Jesus lhes delegara. Pediram para Jesus agir, e Jesus agiu. Tiveram a fé que moveu a mão de Deus, mas não foram capazes de levantar as próprias mãos para dar ordens ao vento e à chuva. Sua fé os manteve com mãos recolhidas, desmobilizadas. O que aparentemente era uma expressão de fé e dependência do poder de Jesus era, na verdade, um ato covarde de quem não cresceu na fé.

As coisas continuam do mesmo jeito. A maioria dos discípulos contemporâneos busca crescer na fé para que possa usufruir mais de Deus. São poucos os que buscam crescer na fé para que possam ser mais úteis nas mãos de Deus. Creio que uma das razões para a distorção é que aprendemos a associar a fé às manifestações do poder de Deus, em vez de a relacionarmos com as expressões de serviço do povo de Deus. A fé está relacionada com o serviço, e não com poder. “Você tem fé? Então me mostre as suas obras” (Tg 2:18).

Basta você abrir sua Bíblia em Hebreus 11 e verificar que o elogio aos heróis da fé não se deve ao que Deus fez por eles, mas ao que, mobilizados pela fé, fizeram por Deus: ofereceram sacrifícios, obedeceram, dedicaram filhos, viveram como peregrinos, renunciaram a riquezas e posições, conquistaram reinos, praticaram a justiça, se entregaram ao martírio, sofreram toda sorte de infortúnios em favor e na esperança do Reino eterno e da cidade cujo fundamento é Deus. Os heróis da fé não são heróis por serem muito abençoados, mas porque abençoam a muitos.

Há uma razão para que a fé nos mobilize na direção de Deus e do serviço. Muito provavelmente porque a fé não é confiança naquilo que Deus vai fazer ou pode fazer. Costumo dizer que isso não é fé, é esperança, pensamento positivo, torcida. A fé não é expectativa quanto ao que Deus vai fazer. A fé é confiança profunda em Deus. Fé é crer no caráter de Deus. Fé é deixar as preocupações com a própria a vida – o que comer, o que vestir, onde morar – nas mãos de Deus, confiando em sua bondade, seus propósitos e suas intenções. Fé é crer que Deus tem para nós planos de paz e felicidade, para nos dar um futuro. Somente quem crê assim em Deus é livre para deixar de pensar em si e experimentar a liberdade necessária para que as mãos sejam mobilizadas na direção do serviço ao próximo.

Creio, sim, que Deus age em resposta a fé. Creio que a incredulidade nos priva de muito do que Deus tem para nos dar. Creio, sim, que não raras vezes somos invadidos por convicções profundas quanto ao mover de Deus e seu feitos que nos são comunicados ao coração de antemão pelo Espírito Santo. Mas creio também que minha fé não deve se prestar ao papel de pretender mover a mão de Deus. Ao que aspiro é a dimensão de fé que faz de Deus meu companheiro. Quero a qualidade de fé que me possibilite andar com Deus, a extensão de fé que me leve para dentro do coração do Pai, cada vez mais fundo, para que ouça sua voz, receba a revelação de seus propósitos, ouça seus segredos. E que de lá eu me levante com mãos arregaçadas para cumprir sua vontade – ser e fazer no mundo aquilo que estou destinado a ser e fazer para Deus, seu Reino, sua Igreja e os que ainda não são completamente seus.

Não quero a fé que espera Deus trabalhar por mim. Quero a fé que me faz trabalhar para Deus. Não quero a fé que me faça prosperar entre meus irmãos. Quero a fé que me faça cooperar e servir para que meus irmãos prosperem. No fundo, acho que sou movido por ambições maiores: não quero ser apenas fiel, quero ser herói da fé. Não me basta ser o tipo de homem que é digno no mundo. O que quero mesmo é ser o tipo de homem do qual o mundo não é digno.”

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quarta-feira, 3 de setembro de 2008

O Lado de Lá do Ge

(...)

O lado de lá da lua
O lado de cá do sol
O lado de lá da rua
E o medo de virar pó

Um pouco demais de tudo
Uma sobra não recolhida
Um medo bobo do mundo
Uma metade mal enchida

Em segredos e mistérios
De poemas e canções
Minha vida (revertérios)
De segredos e ilusões

Me revelo e me escondo
Me encontro e me exponho
Me machuco e me reponho
Me descubro: sou só sonho

O lado de lá da lua
O lado de cá do sol
O lado de lá da rua
E o medo de ficar só

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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

(sem nome)

julho/2008

Quando eu me esconder, você vem me procurar?
E quando eu errar, você vai me criticar?
Quando eu chorar, você vem me ouvir?


Quando eu me perder, você vem me buscar?
Quando eu te magoar, você vem me perdoar ?
Tudo isso sem eu te pedir?


Que amor é esse ?
Que não me pede um gesto,
Que não me cobra nada,

Que só me ama e pronto...

Se este amor não tem fim,
Será que cabe em mim?

Quem pode não querer um amor assim?


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